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domingo, 31 de janeiro de 2010

Corações Feridos

Corações são frágeis, quebradiços, delicados.

São órgãos preciosos... Fundamentais. Centro de nosso corpo.

Os corações são nossos cérebros emocionais. Núcleo dos sentimentos.

Mas os nossos corações não são nossos. Coração serve para ser doado. Doamos nossos corações a que gostamos e, principalmente, a quem amamos.

Entregamos de olhos fechados nossos vítreos corações. Entregamos com cuidado, amor e até medo... Medo de vê-lo quebrado, espatifado, ignorado ou ferido.

Pessoas ferem os nossos corações. Por querer, sem querer ou sem saber... mas ferem... e dói.

Corações feridos sangram.

O sangue há de verter por certo tempo. Tempo esse difícil de determinar: Dias, meses, anos...

Em algum momento os corações feridos hão de parar a hemorragia. Hão de cicatrizar.

Mas um coração ferido há de ser sempre um coração ferido. Sempre há de carregar a cicatriz no ponto onde por dias o sangue jorrou. Um coração, uma vez ferido, nunca há de esquecer o que passou.


(Janeiro de 2010)

Atraso - Bosco


(Produzido em Novembro de 2009)

sábado, 30 de janeiro de 2010

“TV 42 polegadas de alta definição”

Vou comprar uma “TV 42 polegadas de alta definição”...

Suas imagens bem definidas esconderão a indefinição do mundo e de minha mente. As figuras perfeitas na tela ocultarão nossa imperfeição.

Ficarei feliz, entretido com estórias artificiais sobre sentimentos artificiais em mundos artificiais.

Me emocionarei com narrativas plastificadas e enlatadas... Escapismo de minha realidade.

Experimentarei adrenalina por situações que nunca vivi. Gargalharei do absurdo. Sentirei ódio de quem nunca vi. Desejarei morte a quem não conheço. Amarei quem não me conhece: Emoções fabricadas.

Sua tela de 1 metro de diagonal será minha janela para o Mundo. Gritarei para seu vidro: Me Informe! Me emocione! Me assuste! Me apaixone! Me entretenha!... E minha “TV 42 polegadas de alta definição” assim o fará... Obediência total.

Ela já vem com conversor digital integrado. Pronto a converter o “nada” em “coisa nenhuma de alta definição”. Integrado a sua própria insignificância.

As suas 4 entradas HDMI escondem a verdadeira verdade. Da minha “TV 42 polegadas de alta definição” não há entradas, somente saídas.

A sua taxa de contraste de 80.000:1 não mostrará os reais contrastes da terra. Não me mostrará os contrastes dos povos, das riquezas, das raças, das cores ou dos pensamentos.

O seu brilho de 500 cd/m² não há de colocar luz onde há escuridão. Há de cobrir sim as brumas da inteligência. Há de desafiar sim a lógica de meu raciocínio.

A resolução de 1080 pixels da tela, nada poderá resolver. Maquiará o insolúvel... Simplificará o analógico em informações digitais.

Beijo, paisagem, música, poesia, sexo... Tudo se transformará em um código binário sem nexo em carrossel: “10100100100101001”.

E ainda assim... Ela há de suavizar... A suas imagens com freqüências de 120hz hão de transformar as ríspidas e brutais ações humanas em atos suaves. Preenchendo as lacunas de obras bestiais com movimentos leves e delicados.

E assim vou consumi-la. Vou devorá-la lentamente. E em troca ela também me devorará... Consumirá meu tempo... Consumirá meus olhos... Consumirá minha inteligência... Consumirá meus pensamentos: Um produto de consumo.


(JANEIRO DE 2010)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Palavras

Palavras duras cortam... machucam... ferem...

Ouço palavras duras ditas em seqüência em frases tão duras quanto. Palavras que rasgam meus sentimentos. Destroem os pilares das minhas verdades. Palavras que me trazem inseguranças e incertezas.

Abandonado e excluído, escuto tais palavras. Sussurradas em tom absurdo ao pé do ouvido. Devorando lentamente meus órgãos... Definhando meu corpo.

Engulo as palavras, mas não engulo mais nada... Não como, não bebo, não durmo, não sonho. Apenas engulo palavras... Regurgito-as e as engulo novamente em um ciclo mortal e infinito. As palavras me fazem mal... Mas não consigo me livrar delas... Sou um drogado de palavras...

As palavras se repetem em meu inconsciente. Muros de verdades caíram por terra revelando os quartos da mentira. Sentimentos afundados por palavras-navalha, Cortantes... Perigosas... Traiçoeiras... Palavras capciosas, astutas, afiadas, cancerígenas... Elas acabaram com minhas emoções... Implodiram meu peito... A adrenalina faz questão de que eu fique acordado para sofrer.

Traído por ações transformadas em palavras eu vivo... Vivo? Não... Sobrevivo... Sobrevivo a uma subvida... Subvida envolta em palavras... Palavras que machucam; palavras que me traem; palavras que me consomem; palavras que me matam...

(JANEIRO DE 2010)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Se Eu Soubesse

Gostaria de saber escrever bem. Se o soubesse, poderia escrever em palavras e frases mais belas possíveis o que eu sinto por você.

Se o soubesse, não me resumiria a fúteis declarações amorosas de adjetivações primárias e valores simplistas. Escreveria com sensibilidade e intelecto o que há de mais profundo em minha alma e no universo de nós dois

Se o soubesse, transformaria o que há de mais complexo no amor, em orações de fácil entendimento, porém de beleza inestimável. Transbordaria as letras no papel e alcançaria outro estado de sentimentalismo, daquele mais entranhado ao coração possível.

Se o soubesse, mostraria de forma poética e lírica as minhas sensações mais físicas e emocionais, sem partir para palavras de calão. Descreveria a erotismo do nosso amor, o nosso desejo e o nosso sexo.

Se o soubesse, saberia dosar o exato ponto entre compostura exacerbada e uma depravação desnecessária. Relataria os nossos beijos, nossas loucuras e a ternura do nosso transar de forma nunca vista antes, assim como é a força do nosso amor.

Se o soubesse, não perderia tempo me lamentando por não escrever bem. Apenas pegaria um papel e sairia por aí, escrevendo a viagem, a primavera, o desejo, o descobrimento e a eternidade. As Palavras sairiam facilmente e de forma natural respeitando a gramática e as “leis da poesia”

Se o soubesse, faria um texto a altura de tua beleza, te descrevendo de forma tão bela quanto a real delicadeza de suas feições. Colocaria você no papel de forma que se alguém no futuro o lesse, imaginaria exatamente quão linda você é.

Se o soubesse, falaria do seu corpo, do seu seio confortante, da tua nudez pueril. Falaria de meus quereres desconcertantes, das elucubrações de minha mente e de tuas provocações. Comentaria sobre sua complexidade, ora criança, ora mulher ao alvorecer dos 18 anos.

Se o soubesse, diria o quanto sou dependente da tua boca, o quanto preciso do seu carinho e como não mais existo se não tiver você.

Se o soubesse, não teria escrito este texto digno de um colegial. Teria escrito algo que transcende seu tempo e que eternizaria o nosso amor além de nossas vidas. Mas infelizmente não o fiz. Eu não sei escrever. Terás que se contentar com um simplório, porém sincero:

Eu Te Amo.


(Agosto de 2007)

Sonhei

Sonhei acordado o dia inteiro com os sonhos que sonhara na noite passada.

Sonhei, Sonhei e Sonhei sem sair do chão.

Sonhei, sonhei, acordei, pensei, sonhei, sonhei, chorei, gritei, sonhei, sonhei...


Às vezes penso se os sonhos intangíveis são, na verdade, torturas psicológicas.
Acordar e descobrir que tudo sonhado foi apenas fruto de uma fértil imaginação...
Pior, saber que nada do ideado pode se tornar real.
Saber que nada ali passado poderá nem mesmo permear a minha vã realidade...
Iludir-se com o sonho e levantar-se berrando pelo que nunca será.

Sonhar... Quem sonha com o impossível é tolo e infeliz.
Tolo e infeliz sou, admito.

Sim, admito ser tolo e infeliz quando sonho acordado à luz do dia.

Mas quando as brumas sombrias da noite invadem meu quarto e apago toda a luz... Entro no único lugar em que sou esperto e feliz: nos meus sonhos dormidos...

(OUTUBRO DE 2006)

Viajar

Do que adianta viajar o mundo, se o único lugar que eu quero estar é ao teu lado?


Do que adianta o mar azul, se sem você não vejo as cores?


Do que adianta pisar na areia, se sem você não há um destino ou um propósito?


Do que adianta o vento, sem que eu veja teu cabelo a balançar?


Do que adianta sonhar contigo, se não te vejo quando a luz do sol me acorda?


Do que adianta falar, se a distância nos separa?


Do que adianta sorrir, se não há sentido viver sem você?

Sem você, não tem muita graça...


(JANEIRO DE 2007)

Castelos

Portas Abertas no salão onírico dos castelos dos sonhos.

Lá Vou Eu. Fadas carregam meu corpo e o elevam do meu canto de dormir. Estou Voando.

Bailando no Ar como um Beija-Flor, meu corpo, coberto por um lençol, levita e segue para longe da minha casa.

E vai Subindo, subindo... Vejo meu bairro.

Subindo, subindo... Agora é a cidade.

Subindo, subindo... Vejo todo o litoral.

Subindo, de tanto subir, já enxergo todo o planeta azul.

Ainda coberto com meu lençol, um vento quente vindo do sol tremula as curvas do pano, fazendo-me subir mais rápido. Pronto, Já cheguei. Que belo castelo! Orbitando ao redor da lua está este castelo. Formado de luz, carbono e água, criando esvoaçantes paredes cintilantes.

As fadas me jogam no chão de fumaça em que o castelo foi levantado. Vou andando sob as fumaças e chego aos portões. Há um corredor imenso. O povo lota os lados desse corredor e chama meu nome. Cavaleiros com seus metais ecoam no ar a música da chegada. Lá no fim do corredor de gente há uma rainha. Quem seria?

Ah é você! Minha Colombina! Agora eu lembro, eu sou o Pierrot, um pobre romântico derrotado pelo Rei Arlequim.

Não te satisfizeste com minhas lágrimas do ontem, e agora queres vê-las mais uma vez? Então as veja verter pelos meus olhos mais uma vez! Não há mais música da chegada, apenas meu choro infantil. Regado a corda e a boêmios, sou chorinho. Choro serenatas nas penumbras da noite, como romancista sonhador no meio da rua. Inundo as estradas com meu sofrimento.

Me diz logo, Colombina, o que queres de mim?... Não, não me digas que me desejas! Não me enganes outra vez. Só me causastes dor e sofrimento.

Arlequim se foi? Deixou-te sozinha? Ficastes abandonada em um palácio de nuvens? Eu sei, conquistadores baratos são assim.

Dê-me tua mão que minhas lágrimas cessam. Aceita-me como teu, que eu te aceito como minha. Deixe-me ser o rei eterno do teu carnaval. Sou Teu Rei, Rei Momo do Infinito. Deixa-me ferver o meu chorinho! Eu tiro as cordas; coloco os metais. E o choro vira frevo, e eu pinto teu quarto de carnaval.


(FEVEREIRO DE 2007)


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