Sinto-me pesado.
Carrego fardos que não mereço carregar.
Impregnados em meus pulmões estão os erros alheios. Erros que me impedem de respirar.
Sou culpado pelos desacertos de terceiros. Mesmo inocente, carrego comigo os crimes de outrem.
As suas falhas foram transplantadas em mim. Pago por suas delinquências dolosas. Tenho o desprazer de portá-las, e como me agradecem?
Excluem-me de seu convívio como uma praga. As cincas que carrego contaminam o ambiente... Eu sou como um câncer, um vírus, uma bactéria... Sou uma bosta que fede, que ninguém quer por perto.
Os enganos não foram meus... Mas os transporto.
Carrego em meu peito os erros dos outros. Sou ignorado por carregar os erros dos outros. Não sou amado por carregar os erros dos outros. Não vivo por carregar os erros dos outros.
Não devia carregar os erros dos outros, mas quem errou recusa-se a carregar. Sou forçado a carregá-los... Carrego os erros dos outros.


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